Como passar em concursos públicos - uma frustração e uma lição | webcid
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Como passar em concursos públicos

Quem já passou em concursos públicos fala como conseguiu ser aprovado.

 


Minha maior frustração e minha maior lição

O que vou escrever aqui não é uma dica de como passar em concurso público, mas é uma lição aprendida a duras penas.

O concurso, no qual fui aprovado pela primeira vez, e que assumi a vaga na Superintendência de Água e Esgoto de Ituiutaba foi para mim, uma experiência ímpar. Descobri que trabalhar oito horas diárias, cinco dias por semana, no mesmo lugar não é algo fácil para quem gosta de uma vida dinâmica. O trabalho de ajudante administrativo não oferece desafios nem oportunidades de lidar com o novo.

Quando assumi a vaga eu estava terminando o curso técnico em processamento de dados, de nível médio. Naquela época era novidade, a primeira turma da que formava na cidade. Mesmo sendo ajudante administrativo, aproveitava meus conhecimentos em informática para tornar meu trabalho menos braçal, o que, além de facilitar meu trabalho, me dava prática no mundo da computação. Passei então criar alguns desafios para o meu trabalho.

Comecei fazer um outro curso de nível médio, o curso de eletroténcico, mas por estar precisando muito de dinheiro, deixei o curso para dar aulas de informática. Mais uma vez estava eu no mundo do magistério. Considerava que o rendimento era bom, recebendo quatro ou cinco reais por hora aula, eu conseguia ganhar, mais que o valor recebido, mensalmente, para trabalhar as oito horas, como ajudante administrativo.

Depois de algum tempo parei de dar aulas e fiquei mais uma vez trabalhando somente na função pública. Para manter os desafios eu fazia o que podia para facilitar o meu trabalho, automatizando tudo o que para mim era possível. Normalmente eu trabalhava umas duas horas extras após o expediente, pois no horário normal de trabalho não era possível devido a carga de trabalho como ajudante administrativo. Fazia isso com o maior prazer, sem receber as horas extras trabalhadas. Eu ficava até mais tarde mas batia o cartão nos horários normais porquê a informação que tinha era a de que não poderia fazer horas extras e, certamente, meu chefe não me autorizaria fazer horas extraordinárias para fazer um trabalho que não fazia parte das minhas atribuições.

Já ventilava a criação de um cargo para a área computacional e eu continuei trabalhando, de graça, facilitando meu trabalho, dos colegas, praticando a computação até que o superintendente descobriu o trabalhando que eu estava fazendo e disse para que eu batesso o ponto para receber as horas extras trabalhadas. Lembro-me bem de como ele me disse - bate o ponto para você receber horas extras, aqui ninguém é escravo para trabalhar de graça. A partir de então comecei receber horas extras pelo trabalho que fazia de automatização do nosso trabalho.

Continuei fazendo o trabalho assim, até a criação do cargo e publicação do concurso para a área computacional. Minha esposa sempre dizia para eu fazer o curso de processamento de dados na faculdade, mas eu nunca interessei porquê sempre conversava com as pessoas que o tinha feito e não encontrava nada além do que eu já sabeia. Achava uma perda de tempo estudar tudo de novo. Afinal um curso técnico, apesar de ser em nível superior, que só iria me acrescentar um outro diploma. Técnico por técnico, eu já sou, pensava eu. O cargo de programador foi criado e a exigência para ingressar no mesmo era apenas o ensino médio com curso técnico de processamento de dados. Tudo isso eu tinha, além de outros cursos na área da computação, inclusive de redes, era só esperar o concurso.

Fiz muitos outros trabalhos na área de computação para facilitar o trabalho de toda empresa, instalei a rede interligando todos os computadores do escritório. Tudo estava ótimo, passei trabalhar só com computação e eu estava muito feliz com os desafios que as necessidades de melhoria me davam.

Antes de lançar o concurso a direção da empresa mudou, o edital do concurso foi publicado e para minha surpresa, exigiu curso superior na área de computação. Foi a pior época da minha vida. Só não entrei em depressão profunda porque Deus não deixou. Minha maior tristeza era o momento de ir para o trabalho. Eu ia quase chorando. Eu gostaria muito de ingressar no cargo, porquê além de permanecer fazendo o que eu gosto, meus vencimentos dobrariam o valor. Não haveria nenhum problema se eu não fosse capaz de vencer o certame, outra pessoa ocuparia a vaga e eu continuaria feliz porque sempre gostei de desafios, vencendo ou não, o importante é o desafio.

Mesmo não atendendo às exigências do edital fiz a inscrição para o concurso, o mais importante não é vencer e sim o desafio. No dia da prova aproveitei para fazer um teste: numa prova de concurso com duração de quatro horas, costumo demorar entre três e três horas e meia para terminar a prova, resolvi então fazê-la no menor tempo possível. Não me lembro mais quanto tempo gastei, mas lembro que fiz a prova em menos de uma hora. A colocação: sexto lugar, não tenho certeza. Para uma única vaga, ficar e sexto lugar, é o mesmo que não ser aprovado. Se não queriam que eu não ocupasse a vaga era só fazer uma prova que eu não fosse capaz de fazer, seria melhor que exigir um diploma que eu não tinha, não me traria sofrimento [tenho certeza] e tudo ficaria como queriam.

Ao final do certame entrou uma excelente pessoa, dedicada, apesar de, na época, ter muito pouca experiência. Eu continuei fazendo o mesmo trabalho que ele, sem o salário de programador, com a frustração de não ter podido concorrer à vaga e com o sentimento de ter sido traído. Eu não soube de ninguém que tentou fazer algo para ajudar-me. Creio que não foi por incompetência da minha parte porquê continuei fazendo o mesmo trabalho, desenvolvendo programas, administrando a rede, dando manutenção. O meu sentimento foi o de que não queriam que eu recebesse pelo meu trabalho.

Conclusões:

  1. Não pude concorrer à função porquê acomodei achando que sabia tudo e que um diploma não faria falta.
  2. Saber nunca é demais, se eu tivesse feito o curso técnico de nível superior como queria minha esposa, eu poderia ter entrado no cargo, melhorado o salário, evitado a frustração e tudo teria ficado melhor.
  3. Nunca devemos nos acomodar onde estamos, devemos sempre procurar melhorar, mesmo que não pareça uma vantagem no momento, poderá ser o diferencial no futuro.
  4. Nunca devemos confiar inteiramente nas pessoas, nem na situação, nem em nós mesmos, tudo pode mudar de um instante para outro.

 

Olegário Costa

 









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